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segunda-feira, 17 de maio de 2010

Em um ano, mais de 180 animais são atropelados em estradas de MS


G1 - 15/05/2010


Tamanduás são maiores vítimas de atropelamento no estado.
Acidentes ocorrem por imprudência e falta de estrutura nas rodovias.


Tamanduá MS atropelamentoTamanduás são maiores vítimas de atropelamento
em Mato Grosso do Sul (Foto: Divulgação/PRF-MS)
Em Mato Grosso do Sul, o número de animais silvestres atropelados em rodovias federais e até mesmo parques ecológicos preocupa ambientalistas. Em 2009, de acordo com a Polícia Rodoviária Federal, foram registrados 185 acidentes causados pelo atropelamento de animais.
“O local em que mais ocorrem atropelamentos de animais é a BR-262, que corta o Pantanal. Isso porque a rodovia não foi planejada para a migração dos animais. Quando o Pantanal enche, os animais procuram a parte mais alta, que é justamente o aterro da rodovia”, diz ao G1 o biólogo Ednilson Paulino Queiróz, chefe de comunicação da Polícia Militar Ambiental do estado.
Além da falta de estrutura das rodovias, que são cercadas pela fauna, outro problema, segundo a Polícia Ambiental, é a imprudência dos motoristas. “Muitas vezes o motorista percebe a presença do animal e não reduz a velocidade”, afirma Queiróz.
Os animais mais comumente atropelados são, segundo a Polícia Militar Ambiental, o tamanduá-bandeira e o cachorro-do-mato. “Tamanduás costumam ser atropelados porque são animais que migram muito na busca por alimentos e são muito lentos”, diz o biólogo.
 Centro de Recuperação
Animais silvestres não são vítimas de atropelamento apenas nas estradas. Em parques ecológicos, como é o caso do Parque dos Poderes, em Campo Grande, a imprudência de motoristas também preocupa.
"Só neste ano já atendemos de 20 a 25 animais vítimas de atropelamento. Isso, sem contar os animais que morrem e não chegam ao Centro de Recuperação. Além das estradas, no Parque dos Poderes temos muitos atropelamentos de quatis, cotias e capivaras. Isso por excesso de velocidade dos motoristas", diz ao G1 a zootecnista Ana Paulo Felício, do Centro de Recuperação de Animais Silvestres (Cras), em Campo Grande.

A zootecnista destaca que entre as espécies mais afetadas no estado estão, além do tamanduá, a anta e o tatu, que também são animais de lenta locomoção.

Em caso de atropelamento de animal, o motorista deve entrar em contato com a Polícia Rodoviária Federal ou com a Polícia Militar Ambiental, que prestarão socorro. Os animais são encaminhados para o Cras e, se recuperados, são devolvidos para a natureza.

terça-feira, 9 de março de 2010

Resenha do artigo: “Living on the edge: roads and edge effects on the small mammal populatinos.”


Fuentes-Montemayor, E., A.D. Cuarón, E. Vázquez-Domínguez, J. Benítez-Malvido, D. Valenzuela-Galván & E. Andresen. 2009. Living on the edge: roads and edge effects on small mammal populations. Journal of Animal Ecology 78: 857-865.

As estradas podem exercer efeitos de barreira em populações de animais, assim como favorecer a colonização em, algumas delas. O artigo nos mostra os efeitos das estradas nas populações de dois roedores na Ilha de Cozumel (México). Sendo bom salientar que os efeitos não afetam apenas os indivíduos em si, mas também a relação social que esses indivíduos tem com os outros da mesma espécie ou outra diferente.


Estrutura do artigo: O artigo inicia fazendo um resumo do que será discutido ao longo do texto. A seguir é feita uma introdução sobre o assunto, mostrando quais são os possíveis efeitos causados pelas rodovias nas populações dos roedores. Depois disto são fornecidos os materiais e métodos, deixando claro o procedimento e o delineamento experimental para realização da pesquisa. Em seguida foi feito uma análise dos dados obtidos, e para finalizar, fez-se uma análise estatística a fim de comprovar os resultados e tirar conclusões.


Conteúdo do artigo: Estradas são estruturas que causam diversos efeitos sobre as populações animais, assim como evasão de local por perturbação sonora, evasão por poluição, atropelamento, entre outros. O que ainda não se tinha idéia é que as estradas causam vários efeitos sociais na população desses indivíduos. Ou seja, indivíduos de maior massa podem ocupar os espaços privilegiados no interior da floresta e obrigar indivíduos menores (por exemplo, os jovens) a abrigar locais menos favorecidos como as bordas das estradas, que estão mais suscetíveis aos efeitos negativos das rodovias.
      O estudo se deu basicamente por demarcação de diferentes áreas e captura de indivíduos de duas espécies de roedores: Oryzomys c. cozumelae e Reithrodontomys spectabilis. Para cada indivíduo capturado foi feita uma minuciosa inspeção registrando o peso, o sexo, a idade e o estado reprodutivo.
       Analisando os dados foi possível constatar que O. c. cozumelae possui uma tendência de maior abundância global perto das margens das estradas, pois a obtenção de alimento por esta espécie se torna mais facilitada nessa área. Já a espécie R. spectabilis mostrou comportamento inverso, habitando mais as áreas do interior da floresta, isso sugere uma preferência por habitats menos perturbados. O. c. cozumelae se distribuiu de acordo com sua idade e sexo: a proporção de adultos e machos foi maior no interior do que próximo das bordas, enquanto que os jovens e fêmeas foram mais abundantes próximo das bordas. A distribuição de R. spectabilis foi relacionada a sua idade e condição reprodutiva, mas não ao sexo. A proporção de adultos foi significativamente maior nas bordas (cantos), enquanto que os jovens foram apenas capturados em quadrantes do interior e com apenas um canto. A proporção de indivíduos reprodutivos foi maior nas bordas do que no interior, enquanto que as fêmeas reprodutivas estavam apenas presentes nas bordas.
        Foi possível demonstrar com esse estudo que as estradas podem influenciar de maneira diferente as diversas espécies de animais, sendo assim, necessário todo o cuidado para reduzir ao máximo o estresse causado por uma estrada.


Leonardo Beltrão Barszcz
Acadêmico do curso de Bacharelado e Licenciatura em Ciência Biológicas da Universidade Federal do ABC (UFABC)