quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Highway 93 - Montana/EUA

Um salve especial as pessoas que seguem o blog e todos os estudantes e profissionais que trabalham ou acompanham o desenvolvimento do mais novo ramo da ecologia no Brasi: Ecologia de Estradas!
Atualmente faço mestrado na USP de São Paulo e minha proposta de trabalho é fazer o monitoramento de passagem de fauna que se dará na SP-225 (Brotas-SP). Nesse ano de 2010 tive uma excelente oportunidade de fazer um estagio com monitoramento de passagens de fauna com o pesquisador Marcel Huijser em Montana- EUA, Marcel é vinculado a Western Transportation Institute na Universidade de Montana. O estagio aconteceu majoritariamente em campo, na Highway 93, a qual, é uma rodovia cheia de atrativos naturais, onde podemos notar inúmeras montanhas com picos de gelo, lagos de coloração azulada e muitas espécies de aves e mamíferos podem ser facilmente avistadas.

Há alguns anos foram instaladas diversas medidas de mitigação para atropelamento de animais selvagens, como instalação de fences, underpasses, culverts, overpass e jumpouts. Para esse projeto ser realizado foi necessário que o governo federal, o governo do estado e comunidades tradicionais (indígenas da etnia Salish-kootenai) que se juntassem e trabalhassem juntos para atingir um objetivo em comum: garantir a passagem segura de animais silvestres que em seus deslocamentos diários cortam as pistas da rodovia e então, garantir a estabilidade de suas populações animais a longo prazo. O maior problema vinculado as estradas no estado de Montana é o atropelamento dos veados, espécies como White tail deer (Odocoileus virginianus) e o Mule deer (Odocoileus hemionus), por exemplo, éfreqüentemente morto por atropelamento por conta de suas abundantes populações. Os acidentes com esses animais se tornou uma problemática muito grande no estado por gerar acidentes muito graves e causar incontáveis prejuízos as vidas humanas.

*Na foto abaixo a tentativa de um white tail deer atravessar a pista.



Marcel é responsável pelo monitoramento das passagens de fauna instaladas, pelo funcionamento das cercas e principalmente pela estrutura teste recém instalada – o jump out.

O jump out funciona como um último recurso à aqueles animais, principalmente veados e pumas, que pulam as cercas e conseguem entrar nas pistas. O jump out sempre fica próximo as passagens inferiores de fauna e é descrito como “one way measure”, uma medida de mão única, onde os animais podem pular de dentro da pista pra fora e assim serem conduzidos as passagens de modo seguro, mas nunca eles podem pular de fora da pista para dentro, impossibilitados pela altura.

Todas as estruturas citadas são monitoradas com armadilhas fotográficas e caixas de areia para mensurar a freqüência de utilização dos animais nessas estruturas. Há inúmeras coisas a serem ditas sobre Montana e os esforços que foram feitos para a Highway 93 ser hoje considerada uma rodovia exemplo para o resto do mundo realmente merece a nossa atenção e certamente podemos aprender muitas coisas com esses gringos!

Acho que vou precisar de outras oportunidades para escrever nesse blog!

Gostaria de dizer que me sinto muito incentivada pelas coisas que vi em Montana, talvez achemos que no Brasil as coisas andem um tanto devagar e talvez algumas coisas sejam impossíveis de serem executadas - digo isso não só no âmbito das estradas, mas acredito que temos inúmeros exemplos pelo mundo afora de como devemos direcionar os nossos trabalhos para atingir resultados satisfatórios!

Sendo o Brasil um país megabiodiverso devemos executar trabalhos e projeto de conservação à altura! Vamos nivelar os nossos trabalhos por cima e não por baixo! Vamos divulgar a temática das estradas e sensibilizar as pessoas ao nosso redor de como esse assunto é importante para conservar, para proteger e para assegurar a biodiversidade desse pais para as futuras gerações!

Um grande abraço a todos e até a próxima!

“Vamo que vamo”!

Fer Abra

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Terra do Meio: As estradas

Bom Dia Brasil (6/12/2007) - A Amazônia está sendo derrubada com o uso indiscriminado de um agrotóxico, que deixa pessoas doentes e árvores mortas. Madeira, minério, gado – tudo transita ilegalmente por estradas clandestinas.


Veja o video aqui.






segunda-feira, 19 de julho de 2010

Trilho ecológico nas ferrovias do país

Monitor Mercantil - 13/07/2010

Fabricados pela empresa paulista Wisewood Soluções Ecológicas o dormente ecológico é feito com lixo reciclável transformado em "madeira" plástica. Por meio de um processo de alto padrão de qualidade e tecnologia, a empresa iniciou a produção de dormentes que são utilizados para assentar os trilhos das estradas de ferro. As peças servem para emprego nas malhas ferroviárias, metroviárias ou VLT (Veiculo Leve sobre Trilhos). 

A madeira plástica é um produto composto de matéria-prima totalmente proveniente do lixo plástico reciclado, além de não conter nenhuma substância tóxica, das encontradas na madeira tratada, é ecologicamente correta por duas vezes: evita o desmatamento e pode ser novamente reciclada. É o que acontece com esses dormentes. Depois de retirados do local onde foram aplicados, podem ser desmanchados e servirem de base para novos produtos, formando um ciclo que contribui ostensivamente com a preservação do meio ambiente. 

As vantagens do uso destes produtos estão na alta durabilidade (vida útil mínima de 50 anos), imunidade às pragas, não solta farpas, não absorve umidade, é fácil de limpar, resistentes a corrosão, baixo custo de manutenção, poder ser trabalhada com as mesmas ferramentas usadas na madeira natural, poder ser furado, serrado e aparafusado, aceitar pregos e parafusos, bem como fixação utilizando processos de colagem. 

terça-feira, 25 de maio de 2010

Morcegos e Atropelamentos

O Projeto Pró-Morcegos, em conjunto com diversos pesquisadores brasileiros, está desenvolvendo um novo projeto de pesquisa com o título preliminar "Avaliação dos impactos das estradas na comunidade de morcegos no Brasil: efeitos sobre espécies, populações e comunidades". O projeto consiste em avaliar os impactos do tráfego das estradas sobre os morcegos de áreas florestais e urbanas.


O Pró Morcegos convida pesquisadores de todo o Brasil a contribuir com dados e/ou desenvolvimento das análises. O pesquisador que tiver dados de atropelamento de morcegos pode entrar em contato com o Projeto através do e-mails pesquisa@promorcegos.org ou promorcegos@yahoo.com.br. Todos que contribuírem receberão os créditos dos dados cedidos e serão convidados a participar do projeto.


Contribuam. Ciência só se faz com parcerias e cooperação mútua!
Dados engavetados não produzem conhecimento. Ciência é coisa séria!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Em um ano, mais de 180 animais são atropelados em estradas de MS


G1 - 15/05/2010


Tamanduás são maiores vítimas de atropelamento no estado.
Acidentes ocorrem por imprudência e falta de estrutura nas rodovias.


Tamanduá MS atropelamentoTamanduás são maiores vítimas de atropelamento
em Mato Grosso do Sul (Foto: Divulgação/PRF-MS)
Em Mato Grosso do Sul, o número de animais silvestres atropelados em rodovias federais e até mesmo parques ecológicos preocupa ambientalistas. Em 2009, de acordo com a Polícia Rodoviária Federal, foram registrados 185 acidentes causados pelo atropelamento de animais.
“O local em que mais ocorrem atropelamentos de animais é a BR-262, que corta o Pantanal. Isso porque a rodovia não foi planejada para a migração dos animais. Quando o Pantanal enche, os animais procuram a parte mais alta, que é justamente o aterro da rodovia”, diz ao G1 o biólogo Ednilson Paulino Queiróz, chefe de comunicação da Polícia Militar Ambiental do estado.
Além da falta de estrutura das rodovias, que são cercadas pela fauna, outro problema, segundo a Polícia Ambiental, é a imprudência dos motoristas. “Muitas vezes o motorista percebe a presença do animal e não reduz a velocidade”, afirma Queiróz.
Os animais mais comumente atropelados são, segundo a Polícia Militar Ambiental, o tamanduá-bandeira e o cachorro-do-mato. “Tamanduás costumam ser atropelados porque são animais que migram muito na busca por alimentos e são muito lentos”, diz o biólogo.
 Centro de Recuperação
Animais silvestres não são vítimas de atropelamento apenas nas estradas. Em parques ecológicos, como é o caso do Parque dos Poderes, em Campo Grande, a imprudência de motoristas também preocupa.
"Só neste ano já atendemos de 20 a 25 animais vítimas de atropelamento. Isso, sem contar os animais que morrem e não chegam ao Centro de Recuperação. Além das estradas, no Parque dos Poderes temos muitos atropelamentos de quatis, cotias e capivaras. Isso por excesso de velocidade dos motoristas", diz ao G1 a zootecnista Ana Paulo Felício, do Centro de Recuperação de Animais Silvestres (Cras), em Campo Grande.

A zootecnista destaca que entre as espécies mais afetadas no estado estão, além do tamanduá, a anta e o tatu, que também são animais de lenta locomoção.

Em caso de atropelamento de animal, o motorista deve entrar em contato com a Polícia Rodoviária Federal ou com a Polícia Militar Ambiental, que prestarão socorro. Os animais são encaminhados para o Cras e, se recuperados, são devolvidos para a natureza.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Uncertainty over animal crossings


Published online 23 February 2009 | Nature | doi:10.1038/news.2009.114


Are bridges over busy roads helping wildlife to breed?

A wildlife overpassWildlife overpasses — help or hindrance?FHWA - Scott Jackson
There is little evidence that the bridges built to allow wildlife to cross roads are helping them to thrive, a review suggests. The study by researchers in Austria points to a lack of genetic studies investigating whether groups of animals on either side of a bridge are breeding with each other.
Animals living in the wild are often reluctant to cross roads to mingle with other populations because of the threat posed by traffic1. They can as a result breed amongst themselves which may lower the genetic diversity of the population over time and make the species more vulnerable to sickness or predators — priming it for extinction.
Roads are known to have stopped inter-population breeding in many animals, from moor frogs (Rana arvalis) and desert tortoises (Gopherus agassizii) to mammals as small as the bank vole (Myodes glareolus) and as large as the black bear (Ursus americanus).
Overpasses, first thought up in the 1960s, are bridges swathed in grass, bushes and trees that are built between two areas of wilderness to help species mingle. Stretches of road near the crossings are fenced off so that wildlife can cross only via the bridge.

Evidence gap

In France, where 125 overpasses have been built, evidence of overpass use has been found in the form of tracks left by roe deer, wild boar (Sus scrofa), red fox (Vulpes vulpes) and numerous other mammals2. In Sweden, moose (Alces alces) and roe deer were found to use an overpass, mostly during the night, and this use declined as traffic volume rose3.
Curious about how much mingling overpasses actually allow, Luca Corlatti and his colleagues at the Institute of Wildlife Biology and Game Management in Vienna set about analysing data from past studies on wildlife overpasses.
Despite finding reports that animals use the overpasses, Corlatti and his team found no studies that compared population genetics before and after the construction of an overpass. They report their findings in Conservation Biology4.
"I am not surprised that the data aren't there," says ecologist Theodore Fleming at the University of Miami in Florida. Historically, Fleming says, studies have placed a much stronger emphasis on demographic processes, probably because wildlife population biologists are not generally trained in population-genetics techniques. And the complexity and cost of combining genetic analysis with demographic work is likely to affect a researcher's chances of obtaining outside funding — even if the person has expertise in both disciplines, he explains.
"I ran into this problem more than 30 years ago with the US National Science Foundation. The foundation was willing to fund my tropical mammal demographic studies but not concurrent genetic studies," Fleming adds.
Another problem, according to Corlatti, is the time needed to investigate the genetic structure of populations separated by a highway before and after an overpass has been constructed. It would take "around 10 years to see whether the bridge is working", he says.

Bridge or barrier? 

Generating an idea of the success an overpass is a complicated matter. Without overpasses, wildlife get hit by cars more often, but the fences that come with them may prevent animals that are less afraid of roads from crossing.
"If say, 20 wolves move across an overpass and 100 wolves would have moved across if the overpass was not there in the first place, is that better for the population? What if the 100 wolves experience 5% mortality due to car strikes?" asks road ecologist Shelley Alexander at the University of Calgary in Canada.
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In unpublished studies, Alexander has found that movement rates "were actually far lower" on sections of highways that had fencing and crossings than on the highest-volume roads in Banff National Park in Canada. But, she adds, "there is no doubt in my mind that overpasses are doing a lot of good, especially in areas of high traffic flow".
Parks Canada says that its unpublished research suggests the bridges are working. Although Corlatti and his colleagues work may have taken into account most the published literature, says Cliff White, Environmental Sciences Coordinator at the Banff Field Unit, "recent and ongoing research [within Banff] indicates that wildlife overpasses may be very successful in providing opportunities for genetic exchange by many wildlife species". Hundreds of individually marked hoofed mammals have made "tens of thousands of crossings of highway wildlife crossing structures. This is almost a trivial topic for genetic research", he says. 

  • References

    1. Mata, C., Hervás, I., Herranz, J., Suárez, F. & Malo, J. E. Biol. Conserv. 124, 397–405 (2005). | Article |
    2. Van Wieren, S. E. & Worm, P. B. Netherlands J. Zool. 51, 97–105 (2001). | Article |
    3. Olsson, M. P. O., Widén, P. & Larkin, J. L. Landsc. Urban Plan. 85, 133–139 (2008). | Article |
    4. Corlatti, L., Hackländer, K. & Frey-Roos, F. Conserv. Biol. doi:10.1111/j.1523-1739.2008.01162.x (2009).

terça-feira, 13 de abril de 2010

1o Congresso Brasileiro de Ecologia de Estradas - Road Ecology Brazil 2010


O 1o Congresso Brasileiro de Ecologia de Estradas (Road Ecology Brazil 2010) será realizado na Universidade Federal de Lavras (MG) de 23 a 25 de Agosto de 2010.

Este é um evento multidisciplinar que visa discutir as relações sociais, econômicas e ambientais da implantação de empreendimentos lineares.

Alguns dos conferencistas confirmados são:

Dr. Richard T. Forman (Harvard - EUA), um dos principais expoentes na área de ecologia de paisagem e considerado como o pai da Ecologia de Estradas

Dra. Miriam Goosem (James Cook - Austrália), atua com conservação e manejo de fauna e suas relações com empreendimentos lineares

Dr. Willian Laurance (James Cook - Austrália), expoente em conservação de florestas tropicais com enfoque em fragmentação de habitats, fogo, mudanças globais de clima, entre outros

Dr. Philip Fearnside (INPA - Brasil), realiza pesquisas ecológicas, incluindo a estimativa de capacidade de suporte de agro-ecossistemas tropicais para populações humanas e estudos sobre impactos e perspectivas de diferentes modos de desenvolvimento na Amazônia e sobre as mudanças ambientais decorrentes do desmatamento da região (http://lattes.cnpq.br/3176139653120353)

Contaremos também com a participação de pesquisadores brasileiros especializados em Ecologia de Estradas, representantes de órgãos governamentais e ONGs para debater o tema.

Mais detalhes no website: http://www.dbi.ufla.br/roadecology/



Road Ecology Brazil 2010

Rodovias, e outros empreendimentos viários, afetam o meio ambiente e vice-versa. Os efeitos das rodovias sobre a vegetação e a fauna silvestres vêm sendo foco de estudos e debate em todo o mundo, reunindo diversos setores da sociedade (governo, judiciário, empresas e universidades) buscando monitorar e minimizar estes efeitos.

O investimento no setor automobilístico e a opção pelo transporte rodoviário levam ao aumento da frota de veículos automotores e a expansão e investimentos na rede rodoviária no Brasil. Esta expansão, especialmente na Floresta Amazônica, e a ampliação de rodovias em todo o território são uma ameaça a cobertura da vegetação nativa e a sua biodiversidade. Além de ameaçar a viabilidade de populações silvestres, as colisões entre veículos e animais pode ser um risco à vida de motoristas e causar danos aos veículos. Para planejar, monitorar e mitigar os efeitos das estradas sobre a biodiversidade se faz necessário um debate entre os atores sociais envolvidos com o empreendimento viário.

Este encontro permitirá a troca de informações e experiências visando o desenvolvimento de ações e práticas, além de subsidiar a criação de leis e políticas que caminhem para uma relação sustentável entre o meio ambiente e o sistema viário (incluindo rodovias, estradas, ferrovias).
O REB é um evento multidisciplinar, estando aberto a professores universitários, pesquisadores, empresários, consultores, representantes de instituições governamentais de diferentes esferas administrativas, membros de organizações não governamentais, estudantes de graduação e pós-graduação, interessados na área de Ecologia de Estradas.
O evento deverá reunir profissionais das áreas biológicas, exatas e humanas, que desenvolvam ações que relacionem estradas e rodovias às questões ambientais, sociais e econômicas.


Instituição Organizadora


Universidade Federal de Lavras

Instituições Parceiras:



Universidade Federal do ABC & Universidade Veiga de Almeida

Instituições Participantes



IBAMA :: DNIT :: DER – MG :: ICMBIO :: IBGE
CONCESSIONÁRIAS DE RODOVIAS :: ANTT :: MINISTÉRIO PÚBLICO