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terça-feira, 10 de maio de 2011

Marcel Huijser: fotos e publicações

Na segunda-feira, dia 25 de Abril, tive o prazer de assistir o mini-curso do Dr. Marcel Huijser (Western Transportation Institute da Montana State University) e da Dra. Bethanie Walder (Wildlands CPR). O mini-curso foi organizado pela Fernanda Abra e pela Dra. Vânia Pivello na USP. Foi um sucesso de público e crítica contando com quase 50 participantes. Eles tem trabalhado com Ecologia de Estradas com o grupo do Dr. Anthony Clevenger, que é um dos pioneiros nesta área de pesquisa tendo várias publicações sobre o Banff National Park do Canadá.


Sugiro para aqueles interessados, darem uma olhada no website do Dr. Marcel Huijser (http://marcelhuijser.zenfolio.com/highwayswildlifemitigationmeasures) onde tem várias fotos de medidas para mitigar atropelamentos.

Além disso, tem as publicações do Marcel e do Clevenger.

domingo, 27 de março de 2011

Volume Sem Estradas: uma medida do efeito das estradas na paisagem

O grau de perturbações geradas pelas estradas vai depender do volume, tipo e densidade do tráfego circulante, e da proximidade entre floresta e rodovia.[2] O volume sem estradas ( RV- roadless volume), é calculado através do DTR (Horizontal distance to nearest road), que leva em conta a distância da estrada mais próxima. O RV é a integral dupla do DTR, sobre a região considerada, ou seja, é o volume abaixo do gráfico que tem como altura, a função DTR. Podem ser produzidos diferentes RV, para rodovias de mesmo tamanho, pois este leva em conta a distância em relação a outras rodovias, e não apenas o comprimento desta. Veja os exemplos abaixo.[3]


Fig 3. Map of by country in the conterminous United States. DTR legens classes are of aproximately equal area, and color rendering closely folows area-adjusted county rank.[2]


Fig.4. Per capita RV by county for the conterminous United States. Legend classes are of aproximately equal area, and color redering closely follow area-adjusted county rank.[2]


Diversos estudos trazem como resultado o aumento do RV e em, consequência o aumento de animais silvestres em regiões com alto RV.[1] A métrica de paisagens RV, não aborda diretamente a relação entre a paisagem e os processos ecológicos com fragmentação de habitat e conectividade de paisagens.


Fig 5. Duas paisagens teoricamente fragmentadas por estradas. A paisagem da esquerda tem maior conectividade ( menor fragmentação) do que a paisagem da direita. No entando o RV calculado para a paisagem menos conectada ( da direita) é menor que o RV para a outra paisagem, o que é contra-intuitivo.[4]



Referências bibliográficas:
[1] Chen, Xiongwen; Roberts, Kathleen A. "Roadless areas biodiversity: a case study Alabama, USA. [2]Watts, Raymond D; et al."Roadless space of conterminous United States". [3]Shiliang,Liu; Yuhong, Dong."Estimating the cumulative effects of different roads using roadless volume index-a case study in Yunnang province". [4]Girvetz, Evan; et al. 'Comment on "roadless space of conterminous United States"'






domingo, 13 de março de 2011

Análise do uso de passagens de fauna na Rodovia SP–322

Há uma grande preocupação, de ordem mundial, com o elevado número de atropelamentos e acidentes causados por colisões entre automóveis e animais silvestres. Além dos atropelamentos, as rodovias contribuem para a fragmentação de habitats, o isolamento entre populações impossibilitando o deslocamento, migração e fluxo genético entre as espécies, aumento dos focos de incêndio, dentre outros. Levando em conta o elevado número de atropelamentos nas rodovias do Estado de São Paulo a Vianorte S.A. resolveu implantar um Programa de Monitoramento de Fauna com a finalidade de diminuir esses acidentes. Este programa foi realizado na Rodovia Armando Salles Oliveira (SP-322), no trecho entre os municípios de Sertãozinho e Bebedouro, Estado de São Paulo. A implantação de túneis sob a Rodovia, chamados de “passagens de fauna”; a colocação de telamento nas margens da rodovia com a finalidade de induzir e direcionar os animais a utilizar os túneis; a recuperação de Áreas de Preservação Permanente (APPs) com o plantio de mudas nativas; e ações educativas junto a usuários e população de entorno são algumas das medidas que estão sendo adotadas para minimizar os atropelamentos de animais silvestres e auxiliar na recuperação gradativa da biodiversidade na região. O objetivo deste trabalho é avaliar, com base na bibliografia e nos dados de uso das passagens por mamíferos, a metodologia de seleção dos locais onde as passagens de fauna foram implantadas. O resultado esperado é que as passagens sejam usadas pelos mamíferos e aumentem a conectividade entre as populações isoladas pela estrada.

Agradeço a AMBIENS (http://www.ambiens.com.br/default.aspx) que disponibilizou os relatórios de monitoramento de fauna que possibilitaram a realização deste projeto.

Leonardo Beltrão Barszcz - UFABC

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Reserva faz campanha para evitar atropelamento de animais silvestres


BRASÍLIA (Agência Brasil) - Servidores do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), lotados na Reserva Biológica (Rebio) de Sooretama, no Espírito Santo, querem acabar com os atropelamentos e mortes de animais silvestres no trecho da BR 101 Norte, que corta o local.
Segundo os servidores, são 5 quilômetros (km) de estrada asfaltada bem no meio da Rebio, com grande movimento de carros e caminhões. A média é de dois a três animais mortos por dia. Na tentativa de solucionar o problema, eles estão buscando apoio do Ministério Público.
No ano passado, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) já limitou a velocidade no trecho em 60 quilômetros por hora (km/hora) e instalou placas e faixas contínuas nos 5 km da BR. Outra medida foi adotada este mês, com a instalação de tachões no mesmo percurso.
Ao longo dos anos foram desenvolvidas várias ações para reduzir o impacto do trânsito de veículos sobre a unidade, como campanhas educativas e fiscalização. No entanto, dizem os servidores da reserva, as medidas têm se mostrado ineficazes.
A equipe gestora da unidade está propondo novas medidas, como a implantação de sonorizadores, redutores de velocidade (lombadas eletrônicas) e a readequação de passagens subterrâneas existentes para circulação da fauna.
Os servidores também querem a implantação de portais nas entradas da unidade de conservação, placas informativas, intensificação das campanhas, implantação de um programa continuado de monitoramento da fauna atropelada e estruturação de um centro de atividade videoeducativo.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Elefantes começam a utilizar primeira passarela da África dedicada ao mamífero

Estadão, 28/01/2011.


Inaugurado há um mês, túnel reconecta dois habitats de elefantes separados por uma rodovia




Já entardecia nas encostas arborizadas do Monte Quênia, e o tráfego havia diminuído na principal rodovia da região. Foi quando três elefantes cruzaram a estrada pelo primeiro túnel dedicado à espécie na África. A ideia, aparentemente simples, apresenta uma solução para o crescente conflito entre homens e animais nos biomas africanos.
Jason Strazius/AP
Jason Strazius/AP
O túnel, construído sob a rodovia, é a primeira passarela para elefantes da África
O túnel, que custou US$ 250,000, provenientes de doações, reconecta duas áreas ocupadas por populações de elefantes que haviam sido separadas por anos pela rodovia, no Quênia. Os animais atravessaram a passagem sem colocar motoristas, palntações ou residentes da vila próxima em perigo.
“Foi a primeira vez que conseguimos registrar elefantes utilizando a passagem. Não esperávamos que fosse acontecer tão rápido”, disse Susie Weeks, oficial exectuiva da Mount Kenya Trust, uma das ONGs parceiras do projeto. Com 4,5 metros, o túnel foi aberto no final de Dezembro de 2010.
A vida selvagem africana têm sofrido os impactos do desenvolvimento humano. Vilas e plantações se instalam em áreas que, por séculos, foram habitats naturais de animais selvagens. A nova passagem de elefantes liga habitats das áreas elevadas do Monte Quênia, com 2 mil animais, e das florestas baixas e planícies e planícies, com 5 mil.
Iain Douglas-Hamilton, fundador da ONG Save the Elephants, disse que também foi aberto um “corredor” de cercas com 14 quilômetros, que se estende para os dois lados do túnel, para ajudar os elefantes a se locomoverem para cima e para baixo em busca de comida e amigos. O corredor e o túnel, juntos, custaram US$ 1 milhão.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Jaguars on the move: modeling movement to mitigate fragmentation from road expansion in the Mayan Forest

Autores: F. Colchero, D. A. Conde, C. Manterola, C. Chávez, A. Riveira & G. Ceballos

Este artigo aborda o impacto das estradas na circulação dos carnívoros e no habitat desses animais. A construção de estradas interfere no bioma, primeiro porque reduz o habitat natural dos animais selvagens e segundo porque aumenta o isolamento populacional. Por outro lado pode causar um declínio na população dos grandes carnívoros principalmente porque promove o acesso nas florestas pelos caçadores ilegais e pela colisão dos animais com os veículos.

Os objetivos desse estudo são encontrar soluções que possam minimizar os efeitos das estradas que atuam como barreiras para a circulação dos animais e facilitar a movimentação destes em seu habitat.

O estudo em si consiste em uma avaliação da eficiência das passagens já existentes e na identificação de locais mais apropriados para a construção de novas passagens.

O local do estudo foi escolhido devido a uma expansão das vias rodoviárias que atravessam a Reserva de Calakmul. Essa região está situada na península de Yucatán no México sendo uma área da floresta subtropical de Mayan considerada como o hotspot Mesoamericano e também é um local de preservação das onças da espécie Panthera onca.

Foi criado um modelo Bayesian de hierarquia do movimento a partir de dados de dois períodos de 12 meses obtidos por telemetria e um GPS. O modelo estima a probabilidade de movimentação da onça de uma paisagem até outra, segundo as seguintes características: vegetação, proximidade com estradas e densidade populacional humana.
Foram utilizadas onze onças para estimar essa probabilidade sendo sete fêmeas e quatro machos (cinco foram identificadas por colares de radiotelemetria e as outras
seis por colares com GPS).

Os resultados mostram que as onças evitam se movimentar próximo às estradas, mas esse dado é maior entre as fêmeas evidenciando que os machos atravessam as estradas mais do que elas. As fêmeas se restringem aos seguintes locais: na porção leste das estradas atravessando principalmente a faixa da rodovia Escárcega-X-pujil, nas maiores áreas de proteção florestal e nas regiões que contém recursos para a criação de seus filhotes.
Uma maior densidade populacional humana está associada a um declínio de carnívoros na região.
As fêmeas evitam até as áreas de menor população humana, porém os machos tendem a se movimentar na proximidade das altas densidades populacionais.

A suscetibilidade de encontrar um animal varia de acordo com a densidade da estrada e o tráfego. Foi encontrado um local onde há 90% de movimentação entre ambos os sexos, é uma seção de 1 km onde a travessia é preferida pelos animais, e considerado uma área interessante para a construção da passagem.

Esse estudo engloba um contexto internacional para proteger as onças e seus habitats e incentivar o Panthera Corridor Initiative. Essas análises contribuem para a eficiência das passagens e a conservação do bioma da região.


Publicação do artigo: 12 de setembro de 2010